Publicado por: Claudio Junior | novembro 24, 2009

Vidas e Obras de “Tati Moreno”, Sante Scaldaferri” e Eliana Kertézs.

TATI MORENO

São Paulo (20.09.01) – As esculturas de Tatti Moreno, concebidas em oito orixás de sete metros de altura, iluminados à base de gerador, serão expostas durante um mês no lago do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, a partir de quinta-feira, dia 20 de setembro. Eventos paralelos, com o mesmo tema, também fazem parte do projeto cultural do artista. “É a exposição dos meus sonhos; é minha maior realização”, afirma Tatti Moreno, nascido Octávio de Castro Moreno Filho, baiano, 56 anos, pai de três filhos. Ele é especial, como um dia definiu o escritor Jorge Amado: “As mãos de Tatti Moreno arrancam do fundo do mistério o clarão dos encantados, nossa verdade fundamental”.

No início da carreira, Tatti Moreno fez uma série de santos católicos, “fascinado pelo barroco”, explica. Passou a criar, depois, os orixás, símbolos e imagens ligados ao culto afro-brasileiro. Cada escultura sua, que será mostrada no lago do Ibirapuera – simbolizando Oxalá, Xangô, Ogun, Logun Éde, Iemanjá, Iansã, Nanã e Oxum – pesa até uma tonelada. Só o transporte das obras, de Salvador a São Paulo, durou 10 dias. Um projeto especial foi desenvolvido para que elas flutuem no lago com segurança.

O escultor conta que vem de uma família dedicada às artes. “Minha mãe, Helena, pintava, era pianista, como minha irmã, escreveu dois livros de poesia. Meu irmão, baterista, atuou com Caetano Veloso, Bethânia, Gilberto Gil. Comecei na escultura aos doze, treze anos, manipulando bonecos de arame, cola, sucata e, por intermédio de meus primos, fui para a Escola de Belas Artes de Salvador aprender com o professor Mário Cravo Júnior”.

Artista definitivo, passou a fazer composições em latão, aço inoxidável e alumínio. Primeiro, fez santos; depois, dedicou-se aos orixás – os da exposição no lago do Parque do Ibirapuera são em fibra de poliéster. As imagens, inicialmente, são modeladas em argila, repassadas para o gesso e as saias são feitas em formas de madeira.

A engenharia da arte de Tatti Moreno segue com a fundição da resina de poliéster. Peças da obra são devidamente encaixadas e suas texturas ganham cor por intermédio de vernizes e resinas. Peças pequenas, de 25 a 90 centímetros de altura, com a mesma temática, são feitas em latão. O artista usa, em algumas delas, aplicações de renda, “para transmitir uma visão natural do orixá”.

O material de apoio da exposição “BBV Banco – Tatti Moreno – Orixás da Bahia” – banners, folhetos etc – divulga os orixás e seus significados. “Assim, Oxalá, no sincretismo religioso, corresponde ao católico Senhor do Bonfim – é o mais forte dos orixás, representando a pureza e a dignidade. O branco é sua cor”, comenta Tatti Moreno, que já expôs, por exemplo, duas vezes na França, Estados Unidos (Nova York), Portugal e uma na Holanda, além de uma ampla série de trabalhos no Brasil, a maior parte em espaços públicos, como o Jardim dos Namorados, em Salvador, o Centro de Convenções de Porto Seguro, o Lago Paranoá, em Brasília, e o Metrô de São Paulo-Estação Tucuruvi.

A idéia da mostra itinerante nasceu há cerca de quatro anos, quando ele compôs as esculturas do Dique de Tororó, cartão postal de Salvador, que foi reurbanizado. “Estou muito feliz com esta oportunidade. Recebo muito incentivo, que posso simbolizar na pessoa do Heitor Reis do Museu de Arte Moderna da Bahia. Considero, porém, que a escultura poderia ter um apoio maior, se o formato das premiações mudasse para, em vez de passagens, a publicação de livros. “O que fica da obra é a história escrita”, defende o artista, que realiza exposições individuais e coletivas há cerca de 30 anos.

A exposição de Tatti Moreno, que terá como curador o escritor e crítico de arte Jacob Klintowitz, será levada também a outras capitais brasileiras, a exemplo de Curitiba e Rio de Janeiro. É o primeiro projeto cultural do BBV Banco, incentivado pelo Governo Federal por meio da Lei Rouanet.

Na opinião de Klintowitz, o escultor Tatti Moreno é um artista erudito que utiliza a cultura popular como fonte. “Sua série de esculturas com o tema “Orixás” é uma saga tecnológica, na qual ele teve de resolver questões complexas de fundição e adaptação a materiais não convencionais, cálculos de peso, volume e sistema de flutuação, bem como a logística de transporte, que exigiu carretas de até 20 metros de comprimento”.

 

SANTE SCALDAFERRI

Sante Scaldaferri (Salvador BA 1928). Pintor, gravador, tapeceiro, ator, cenógrafo, professor. Em 1957 forma-se em pintura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia – UFBA. Na mesma instituição estuda a técnica de encáustica com Rescála (1910 – 1986) e faz curso livre de gravura com Mario Cravo Júnior (1923). Scaldaferri é responsável pela implantação, em Salvador, dos centros de formação artesanal do Serviço Social do Comércio – Sesc, do Serviço Social da Indústria – Sesi e da Fundação do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia. Em meados da década de 1950 atua como cenógrafo em produções relacionadas ao cinema novo e como ator em filmes de Glauber Rocha (1939 – 1981). No início de sua trajetória artística realiza retratos e pinturas de temática social. Entre 1960 e 1964, é assistente artístico da arquiteta Lina Bo Bardi (1914 – 1992) e professor da Escola da Criança do Museu de Arte da Moderna da Bahia – MAM/BA. O artista cria também vários painéis para espaços públicos localizados principalmente em Salvador. Publica, em 1997, o livro Os Primórdios da Arte Moderna na Bahia, pela Fundação Casa de Jorge Amado. Em 2000 é realizado o vídeo Sante Scaldaferri – A Dramaturgia dos Sertões, com fotografia de Mario Cravo Neto (1947) e direção de Walter Lima, e, em 2001, o vídeo Sante Scaldaferri: Erudito e Popular, com direção de Maria Ester Rabello. Em 2003 é lançado o livro Sante Scaldaferri: Desenhos, pela Fundação Casa de Jorge Amado.

Obras:

  • Galeria da Escola de Belas Artes – Salvador – 1957
  • Galeria Domus – Salvador – 1958
  • Museu de Arte Moderna – Salvador – 1961
  • Galeria Goeldi – Rio de Janeiro – 1965
  • Galeria Atrium – São Paulo – 1966; 1967
  • Galeria Voltaico – Rio de Janeiro – 1969
  • Palácio Buriti – Brasília – 1978
  • Galeria Genaro de Carvalho – Salvador – 1981
  • Museu de Arte da Universidade Federal – Fortaleza – 1982
  • Galeria do Centro Cultural Cândido Mendes – Rio de Janeiro – 1983
  • Brasil Inter Art Galerie – Paris, França. 1989
  • Civica Galeria D’Arte Città di Portofino – Portofino, Itália. 1989
  • Gaymu Inter Art Galerie – Paris, França. 1992
  • Ethinic Modern Art – Genebra, Suíça. 1992

Eliana Kertész

Eliana Kertész é uma artista plástica brasileira, ex-mulher do ex-prefeito de Salvador Mário Kertész.

Formou-se em Administração de Empresas pela Universidade Federal da Bahia, assim como seu ex-marido. Como política, se tornou a vereadora mais votada da capital baiana, pelo PMDB, em 1982, com 17,3% dos votos válidos. Licenciou-se do mandato de vereadora em dezembro de 1985, assumindo a Secretaria da Educação e Cultura de Salvador, na segunda gestão de Mário Kertész (1986-1989).

Entre várias obras artísticas que fez, estão as famosas esculturas das gordas, como a no bairro de Ondina.

Obra:


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